segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Talvez



Estive pensando
Em quantos pontos e quantas vírgulas eu pus
Em quantas vezes que brinquei de ser feliz
Enquanto caminhava sozinha
E quando pude sentir o cheiro da terra e o gotejo da chuva em meu rosto
Milhares de vezes
E pude perceber que algo ali existia
Uma força talvez sobrenatural
Ou algo me observando de espreita
Por trás de um tronco ou de um galho
Nas asas de um pássaro
Ou no gesto de uma criança
Não importa o quanto parei para observar
Ou o quanto relutei em crer no que vi
Talvez o segredo estava nas emoções
Ou nas tristezas que por ali eu vivi.

Fernanda Carlos

domingo, 11 de dezembro de 2011

Eu


Parte
Daquilo que sinto e toco
Esboço de um resquício de felicidade
Onde o tal sorriso que talvez seja ensaiado
Como num ilustre teatro
Seja transparente ou não
A ponto de causar múltiplas sensações
Sim sou eu
Milhares e milhares de migalhas recolhidas
Pedaços do Eu criado e do Eu perfeito
E uma parte dos mesmos permanece ainda intacta.

Fernanda Carlos

Pura ilusão




Foi naquela tarde que pensei
De que vale a vida?
Imaginando por vez o que fazia a esperar
Quando senti um perfume
Instigou-me os instintos de início
Fez-me olhar a minha direita
Naquele momento pude experimentar
Tal sensação tão singela de novamente voltar minha face
E perceber o quão prazeroso seria o restante do dia
Pleno de que a luz não duraria
Mas que o simples fato de sua presença
Já coube em um infinito de sensações
E quando olhei diante de ti
Havia um alguém que por vez buscava outro alguém
E eu estava lá
Oh que saudade
Daquele chamego que me destes
Do cair e do molhar no sentido puro e literal
De ter quebrado a barreira do insustentável
Oh, mas que pura ilusão
Achar que por mais de um dia o cálice permaneceria
E que por fim poderia saboreá-lo com todo meu ser
Tocá-lo, oh que belo encontro
Triste foi não poder sentir-lhe e fazer de meras palavras
Aquilo que queríamos com todo o nosso ser
Aquilo que buscávamos de fato
Algo verdadeiro e incalculável.

Fernanda Carlos

Inegável


No teu corpo
Pousando sementes que outrora reservei
Em ti
Imaginando o azedo do peso e do afago trago enfim
Mas o enfim tão esperado repousa
Num sono profundo e inegável
Laçado nas ásperas vias por onde tive de caminhar
Ardendo conforme o tempo passa
Implorando socorro
Pedindo para que o próximo repousar
Escute as batidas de meu pulsar
E ao tentar rever suas bênçãos
Que caia em desespero
Para que eu possa ao Enfim me entregar.

Fernanda Carlos